Sinto o cheiro do perigo. Nem imagino tanto mais que solidão. Percorro caminhos já dantes explorados. E quando passo por ele, em trilhos já gastos, vou juntando das extremidades o que para os que aqui passaram já é lixo. Já vi de tudo nessa estrada, já peguei de tudo desse lixo, não me faz bem estar aqui. Vejo fantasmas, escuto vozes. Sinto cheiro de outras vidas e penso ser a minha própria. Penso que minha vida é minha. Tento esquecer que ela é esse trilho gasto, essa estrada malfadada. Evito os segundos de loucura. Sigo, olhando para todos os lados, procurando em todas as partes, gritando a todas as direções, questionando meu próprio caminho. Eu desconfio, mas tento não me importar. Eu sei e finjo não levar em conta. Esse caminho não é meu, errei a escolha de direção e tanto tempo faz que eu não sei como voltar para estrada vazia, sem marcas e sem vozes.
Eu quase posso ver esses zumbis.
A tarde vai acabando, o abandono tem gosto de terra, a noite provoca-me o mais sincero pavor.
Lembre bem, diga a todos, esse caminho não é meu.
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